Observar o cocho evita desperdício e gera aumento de produtividade

Por João Marcos Beltrame Benatti

Muito se fala sobre manejo de cocho em confinamentos, mas poucos sabem da sua real importância na prevenção de diversos problemas.

O manejo de cocho é importante para dar a diretriz do quanto fornecer de dieta com base no quanto sobrou de trato no dia anterior. Primeira recomendação: se, quando estiver passando com o vagão, notar muita comida no cocho, reduza a quantidade ofertada. Da mesma forma, se notar o cocho vazio, forneça mais alimento. Isso é importante para garantir que os animais consumam à vontade sem que haja muita sobra.

Mas não devemos observar somente as sobras. A atenção deve ser dirigida, sobretudo, aos animais.

No exemplo da imagem 1, os animais estão esperando o alimento em pé, à beira do cocho. Esse é um caso de falta de alimento. Provavelmente, se isso for recorrente, os animais consumirão menos do que o necessário e o desempenho será abaixo do ideal.

Na imagem 2, os animais estão calmos, mesmo com o trator pronto para fornecer alimento. Isso mostra saciedade. São animais que provavelmente manifestarão todo o seu potencial de ganho.

Imagem 1                                                                           Imagem 2

 

 

 

 

 

 

 

Por outro lado, com o objetivo de maximizar o desempenho, é comum fornecermos comida além do necessário, o que também se torna um problema.
O desperdício de alimento é a primeira perda que vem à cabeça, mas não é a única. Muita sobra aumenta a possibilidade de seleção da dieta pelos animais, o que se torna mais evidente quando o volumoso é seco ou com granulometria maior, caso do bagaço de cana emin natura/em, palhada de cana, silagens mal picadas.

Nas imagens 3 e 4, retiradas do experimento de doutorado de Benatti (2014), é possível ver as sobras de dois animais diferentes pela manhã antes do primeiro trato. A dieta ofertada para ambos foi a mesma, mas a consumida foi completamente diferente.
Imagem 3                                                                          Imagem 4

 

 

 

 

 

 

O animal que deixou a sobra vista na imagem 3 consumiu mais concentrado. É um animal que está com risco de acidose, mesmo que a dieta formulada seja adequada. O animal que deixou a sobra da imagem 4 consumiu mais volumoso, o que provavelmente o fará ganhar pouco peso. Em ambos os casos, os animais estão consumindo uma dieta desbalanceada, com quantidades inadequadas de volumoso, energia, proteína, minerais, vitaminas e aditivos.

A grande diferença observada entre a dieta formulada e a efetivamente consumida só ocorreu por ter sido possibilitada maior quantidade de sobra – em torno de 10% da quantidade ofertada (o dobro da recomendada).

A quantidade que esperamos que sobre é de 3 a 5% da quantidade fornecida. Por exemplo, com base no fornecimento de 10 kg por animal, em um lote de confinamento com 100 animais deverá sobrar entre 30 e 50 kg.

No experimento em questão, foi fácil observar a seleção, pois os animais estavam em baias individuais. Em uma condição de baias coletivas, a seleção também ocorrerá, mas não será tão evidente, pois a seleção de um animal por volumoso compensará à de outro por concentrado. Isso só será notado quando avaliarmos o desempenho individual ou quando algum animal apresentar acidose.

O manejo adequado de cocho é, portanto, essencial para minimizar a seleção e trazer segurança ao confinamento. Uma estratégia complementar inclui o uso dos aditivos alimentares, como a monensina sódica e os tamponantes, que tem papel fundamental no controle de acidose ruminal. Uma boa opção oferecida pela Trouw Nutrition é o BellPeso Essencial, núcleo mineral para confinamento aditivado com vitaminas, monensia e tamponantes.

*João Marcos Beltrame Benatti é Gerente de Produtos Ruminantes e Feed da Trouw Nutrition

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