Salto de produtividade e poupança da terra

Em artigo publicado no site do CEPEA, o prof. Thiago Carvalho destaca que, comprovadamente, “o avanço do uso de tecnologia no campo nos últimos anos vem contribuindo para a elevação da produtividade e, consequentemente, para o aumento da produção de alimentos”. Além das consequências positivas e importantes para a economia brasileira como um todo, contribui para ajuste da precificação de alimentos e na dinâmica de poupança da terra.

“Com uma maior disputa por áreas – seja pelo crescimento populacional seja pela concorrência entre produção –, a necessidade de incremento de ferramentas para ganhos de produtividade se tornou fundamental para as principais atividades agropecuárias”, diz o especialista.

Ele destaca a participação da pecuária de corte brasileira nesse processo e ressalta que, entre as diversas atividades pecuárias, a produção de bezerros merece atenção especial. “Desde o final dos anos 2000, com as transformações que a cadeia pecuária vinha passando, os investimentos na produção de cria começaram a ganhar força. O primeiro grande movimento foi a busca pelo cruzamento industrial”. Dados do Cepea mostram que, em 2014, foram inseminadas 5,93 milhões de matrizes de corte, enquanto em 2025 o total atingiu 15,77 milhões de matrizes, crescimento de 166% ou quase 10 milhões de matrizes a mais.

“O que se viu foi uma grande transformação, com a produtividade saltando fortemente nas fazendas brasileiras. No início dos anos 2000, 100 vacas produziam cerca de 40 bezerros a um peso médio de 170 quilogramas e em 250 hectares. Atualmente, 100 vacas estão produzindo, em apenas 150 hectares, cerca de 70 bezerros a um peso médio de 210 quilogramas. Ou seja, mais bezerros, mais pesados e em menos área”.

O peso dos animais na engorda também evoluiu. Em 2006, a produtividade média do rebanho brasileiro (boi, vaca, novilho e novilha) foi de 226,73 quilos por animal, enquanto em 2025 chegou a 258,52 quilos – ressalta-se que o ano passado registrou recordes de produção e do número de animais abatidos. “A produtividade média cresceu 14% e a categoria que mais se destacou foi de novilha, com incremento de 18,8% em produtividade, chegando a 211 quilos por animal em 2025. A média de produtividade do boi gordo chegou a 299 kg/animal no ano passado, com alta de quase 40 quilogramas em duas décadas”.

Em sua conclusão, Thiago Carvalho destaca que “esse incremento ano após ano na produtividade e na produção vem contribuindo para os ganhos econômicos da pecuária como um todo e fazendo com que haja uma poupança da terra, ou seja, com mais produtividade, os custos são reduzidos e a escala, ampliada”.