
O abate de fêmeas tem se intensificado nos últimos anos. Esse cenário leva, inevitavelmente, à redução da oferta de bezerros e, consequentemente, à sua valorização. Esta afirmação é da consultora Lygia Pimentel para o portal TheAgriBiz em fevereiro deste ano. Naquele momento, 38% do volume de abate era representados por fêmeas.
O panorama não mudou. O bezerro mantém-se valorizado. Segundo levantamento do CEPEA, entre janeiro e agosto, a cotação no Mato Grosso do Sul subiu 10,84%, passando de R$ 3.070,21 para R$ 3.403,28 por animal.
“Essa valorização significa que o mercado reage aos efeitos acumulados dos últimos anos de ajuste produtivo”, diz Lygia.
O consultor Mauricio Palma Nogueira reforça o discurso em relação ao investimento em genética e foco na produtividade. “O lucro na pecuária deve ser construído com base na eficiência do sistema produtivo e na gestão técnica e não apenas nas variações de curto prazo do mercado”, disse em artigo para o portal AgFeed.
Para Thiago Bernardino, pesquisador do CEPEA, três pilares ajudam a explicar a alta e a sustentação dos preços da reposição:
Oferta altamente ajustada: reflexo do ciclo pecuário anterior, que resultou no descarte severo de matrizes. Agora, há expressiva retenção de fêmeas no campo.
Demanda aquecida de recriadores: com o mercado do boi gordo valorizado, os invernistas buscam recompor os estoques de forma agressiva.
Efeito “poupa-terra”: a cria tornou-se o elo central da eficiência produtiva. O ganho de genética e produtividade faz o bezerro valorizar acima de índices inflacionários.