A chave que determina o êxito ou o fracasso de uma fazenda pecuária

A história de trabalho de Antônio Chaker, zootecnista e coordenador do Inttegra, se concentrou, muitas vezes, em compreender porquê fazendas na mesma região, com as mesmas condições de clima, mercado e solo, apresentam resultados tão diferentes.

Umas crescendo, inovando e prosperando enquanto outras “marcam passo” ou mesmo se degradam e definham em termos de resultados.

A prosperidade (ou não) de uma fazenda é a camada visível. O lucro, a produtividade, o desempenho zootécnico, a eficiência operacional e o comportamento da equipe são apenas a parte mais superficial do sistema, aquilo que é possível ver e medir com mais facilidade.

O que poucos param para refletir é que esses resultados não surgem do nada. Eles são apenas a ponta do iceberg de um sistema mais profundo e estruturado.

Se imaginarmos uma espécie de alvo, a camada mais externa (que representa os resultados) é a que sofre impacto direto dos processos.

Como a pastagem é manejada? Como o orçamento é elaborado e controlado? Como o planejamento é estabelecido e a execução conduzida? Como os processos reprodutivos são organizados?

São todas perguntas que impactam diretamente o que será colhido no final. Processos são os elos que transformam o conhecimento em prática e, consequentemente, em números.

Mas, ainda assim, existe algo mais profundo que determina quais processos são adotados e como eles são conduzidos: a essência.

A essência ou cultura de uma fazenda é a camada mais interna do alvo. Ela define os valores, as crenças e a forma como as pessoas enxergam o trabalho.

É a essência que sustenta tudo. Se uma fazenda tem uma cultura orientada para inovação, disciplina, desenvolvimento das pessoas e resultado, seus processos refletem essa forma de ser.

Haverá maior rigor na execução, um olhar atento para novas tecnologias, investimento no treinamento da equipe e um planejamento cuidadoso para garantir sustentabilidade a longo prazo.

Já uma fazenda que tem uma cultura voltada exclusivamente para o corte de custos, com pouco entendimento das relações humanas, sem uma visão sistêmica, estruturará seus processos de outra forma. Isso pode levar a decisões que geram processos frágeis e de baixo impacto, muitas vezes, comprometemos a eficiência do presente e principalmente do futuro.

O grande desafio da gestão não está apenas em ajustar processos para melhorar resultados, mas sim em trabalhar na cultura que define esses processos.

Muitas vezes, tentamos corrigir problemas atuando na camada superficial, como se trocar um procedimento aqui e outro ali fosse suficiente para transformar uma fazenda ou um negócio.

Contudo, sem uma cultura forte e bem definida, esses ajustes se tornam temporários e não sustentáveis.

Fazendas de pecuária ou agricultura bem-sucedidas são aquelas que entendem que os resultados não são frutos do acaso.

Elas constroem processos eficientes, mas, antes disso, cultivam uma cultura que valoriza a melhoria contínua, o aprendizado e a consistência na execução.

Se queremos transformar o resultado de uma fazenda, precisamos olhar além dos números. Devemos analisar os processos que os produzem, mas, acima de tudo, compreender a cultura que determina quais processos são adotados e como eles são conduzidos.

O que vemos na superfície é apenas a consequência do que foi construído nas camadas mais profundas. E é ali que está a verdadeira chave para o sucesso”.

Autor: Antônio Chaker, zootecnista e coordenador do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra). Este artigo foi originariamente publicado pelo portal DBO e adaptado pela equipe da CFM. Pode ser acessado no seguinte link: portaldbo.com.br/select_post/a-chave-que-determina-o-exito-ou-o-fracasso-de-uma-fazenda-pecuaria/